Teste Yamaha MT-125 - O escuro não mete medo!
A MT-125 serve de porta de entrada no mundo das hypernaked da Yamaha que nos transportam para o lado negro do Japão. As MT são um sucesso, e a versão 125 provou isso sem nos deixar intimidados e sem medo do escuro!
andardemoto.pt @ 25-11-2019 14:52:03 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
Por
alguma razão a Yamaha tem vindo a recuperar o prestígio que durante alguns anos
deixou escapar, atraíndo a atenção de um conjunto de motociclistas mais jovens. E a razão
para essa recuperação é a sua abordagem mais enérgica ao mercado, especialmente
através do lançamento da família MT – Masters of Torque. Primeiro foi a MT-09, e
depois seguiu-se a MT-07, modelos que serviram para a Yamaha abraçar o “lado
negro” do Japão.
Esta estratégia mais radical foi bem recebida pelos motociclistas europeus, e o
passo lógico foi criar a versão 125 cc. E foi a pensar nas suas capacidades
reais que os engenheiros da Yamaha delinearam as linhas pelas quais o projeto se
definiu, em vez de aproveitarem as performances e soluções da YZF-R125 e simplesmente
adaptar à MT-125, mesmo tendo em conta que o motor monocilíndrico de 124,7 cc é
proveniente da R.
Por isso foram aplicadas profundas alterações à unidade motriz que equipa a MT-125
e que no total implicaram 70 modificações aos seus componentes. O resultado
destas alterações é que esta japonesa apresenta uma potência que atinge os 15 cv às
9.000 rpm, valor máximo para que a mais pequena das MT possa ser conduzida por
quem tem carta B. Na realidade a maior aposta é na entrega de binário,
performance mais notória nos médios regimes.
Nota
importante e que a Yamaha não se cansa de destacar nesta naked são os consumos:
uma média anunciada ligeiramente superior a 2 litros por 100 km percorridos. No
nosso teste a MT-125 mostrou que consegue atingir estes valores, pelo menos
quando temos algum cuidado com os impulsos no acelerador.
Ao nível da ciclística encontramos um quadro em aço, tipo Deltabox, uma
estrutura bem conhecida de outros modelos da casa de Iwata, que nos deixa
sentados a 810 mm do solo, o que mesmo para quem tem pernas mais curtas se
revela pouco problemático e inspira confiança nas manobras a baixa velocidade.
Nesta MT-125 destaca-se a utilização de uma forquilha Kayaba com bainhas de 41
mm, de rigidez otimizada e que confere uma condução em que sentimos melhor o
que a roda da frente está a fazer. E por falar em roda da frente, esta é uma
esbelta jante de aparência maquinada, composta por seis braços em forma de Y.
Ainda
no campo das suspensões, destaque para a afinação do monoamortecedor traseiro, mais
rijo do que o habitual, para que mesmo com passageiro ou em ritmo mais
desportivo a compressão não atinja o seu máximo, com o amortecedor a bater no
fundo e provocando instabilidade no conjunto.
O último elemento da ciclística que está em falta são os travões, também eles desenvolvidos
em específico para a MT-125. Contrariando o habitual nas motos desta
cilindrada, a Yamaha desenvolveu uma pinça de fixação radial (à frente) com nada
menos do que quatro pistões! Na traseira o disco é mordido por uma pinça convencional
de pistão simples, sendo que nas versões mais recentes da pequena naked japonesa
a Yamaha instala o ABS de série.
O que
sentimos num primeiro momento de contacto com a MT-125 é que esta suposta
pequena Yamaha, não é tão pequena como isso. As suas dimensões são compactas,
sim, mas não tão compactas e minimalistas que façam um condutor de 1,84 m sentir-se
patético em cima dela. É robusta, e a qualidade de construção é boa. Afinal, o
facto da MT-125 ser produzida pela MBK em França para a Yamaha sempre tem os
seus benefícios.
Já aos comandos da MT, e depois de me aclimatar ao painel de instrumentos
inspirado nos atuais smartphones, dividido em três secções e cada qual dedicada
a um conjunto de informações sobre o estado da moto, comecei por perceber o que
vale a MT-125 no meio do trânsito citadino de Lisboa. As principais avenidas da
capital de Portugal estão atestadas de semáforos, quase todos dessincronizados,
e a obrigar a um pára-arranca constante.
Foi a oportunidade perfeita para sentir o motor monocilíndrico que a Yamaha
afirma ser mais solícito nos baixos e médios regimes. E, de facto, sente-se cheio
nos médios regimes, mas mesmo em baixas não se sente desconfortável, sem
vibrações excessivas, e por isso os arranques são fortes com as rotações a
subirem rapidamente até pouco acima das 10.000 rpm, altura em que entra o
corte.
Talvez
lhe falte um pouco de energia na gama mais elevada das rotações, especialmente
quando temos de recuperar velocidade para ultrapassar um qualquer obstáculo,
mas também aí a caixa de velocidades, suave, e com relações bem escalonadas
para uso citadino, ajuda-nos a recuperar ímpeto através da redução para uma ou
duas relações abaixo sem que o conjunto se desestabilize.
Como seria de esperar a agilidade da Yamaha MT-125 é extrema! Não só pelo
perfil dos pneus, esguios, como também pelo peso do conjunto atingir apenas os 140
kg a cheio. A forquilha KYB com as suas bainhas mais rígidas faz maravilhas na
absorção dos impactos, e a mais pequena das MT circula sem dificuldade através
do trânsito pois a brecagem é excelente e permite encontrar espaços entre os
carros onde noutras motos seria impossível.
Tudo isto é derivado do quadro Deltabox, de geometria desportiva, que permite
obter um bom “feeling” da roda da frente. É por isso fácil inserir a MT-125 na
trajetória quando circulamos por percurso mais abertos, e a estabilidade é um
dado adquirido.
Saindo
das ruas congestionadas de Lisboa e seguindo por uma estrada com algumas curvas,
a MT voltou a não desiludir. O motor deixa-se manter nos médios regimes com
muita facilidade, e com tanto pulmão para uma 125 cc, dei por mim a enfrentar
as curvas sem recorrer tanto à caixa, aproveitando a boa entrega de binário,
mantendo a velocidade enquanto troca de inclinação de curva em curva.
E por falar em velocidade, a unidade ensaiada estava equipada com uma ponteira
de escape Akrapovic. Este componente, para além de contribuir para a imagem desportiva,
confere um sonoridade muito interessante ao motor monocilíndrico, incluindo
alguns “pops & bangs” nas reduções de caixa mais agressivas. Tudo isto
contribui para aumentar a nossa emoção aos comandos da MT-125.
Com a
velocidade a aumentar, brilharam os travões, em especial a pinça radial de
quatro pistões. É extremamente doseável e potência de travagem não lhe falta. Mesmo
a abusar da travagem, por vezes passando para lá dos limites, senti sempre um
tato agradável e progressivo na manete, com o ABS a funcionar apenas no limite,
garantindo que a MT-125 abranda o suficiente para a voltarmos a inserir na
trajetória ideal ou a escapar do perigo.
Uma última nota para os interessantes consumos apresentados no painel de
instrumentos: sem ter cuidado com o acelerador, a MT revelou um consumo médio
de 2,3 litros, o que aumenta o valor económico desta Yamaha.
Galeria de fotos Yamaha MT-125
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:
Capacete – Shark Spartan
Blusão – Ixon Cobra
Calças – Rev’it Lombard
Luvas – Macna Outlaw
Botas – TCX X-Blend WP
andardemoto.pt @ 25-11-2019 14:52:03 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
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